Após 16 anos de sua morte, Niobe Xandó ganha mostra na Galeria Frente. Exposição exibe dezenas de obras que permeiam a trajetória de mais de cinco décadas da artista.
A relevância da obra de Niobe Xandó (1915 – 2010) sugere a realização de uma exposição abrangente pautada pelo inusitado de suas criações e pelo contraste entre suas diversas fases.
Nascida em Campos Novos no interior paulista, vivendo, em São Paulo e no exterior, em ambiente culto e intelectualmente estimulante, Niobe desenvolveu a partir dos anos 1940, uma carreira discreta e independente. Sempre fiel a seus desígnios íntimos, ela não aderiu a movimentos ou grupos, embora tenha usufruído da proximidade de colegas, críticos e teóricos da arte e de disciplinas afins.
Passar ao largo dos “ismos”, tão presentes em meados do século 20, possibilitou à artista dedicar-se a uma pintura singular, fruto da introspecção, do aprimoramento de técnicas e da livre inspiração. Esse isolamento voluntário surpreendeu a muitos. Entretanto, com o passar do tempo, sua obra, notadamente depois da retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2007, vem sendo cada vez mais reconhecida.
Isso porque, poucos são os artistas que à margem de escolas ou tendências criam uma linguagem própria. E esse é o caso de Niobe Xandó, em especial, no que se refere ao seu desenho caligráfico, às formas de inspiração arcaica com acentos ameríndios e africanos que desembocam no letrismo e no mecanicismo. Precursora na incorporação de elementos provenientes das culturas indígena e negra na arte contemporânea, mesmo em outras fases, seu trabalho nunca é banal. A começar pelas flores exóticas do início de sua pintura até o geometrismo lírico da década de 1980, sua obra nunca deixa de surpreender pelo inusitado dos temas e soluções plásticas que adota.
A mostra apresentará cerca de 70 obras entre pinturas, desenhos, serigrafias, objetos de diferente fases e alguns documentos de época.
Maria Alice Milliet
Abril de 2026
A Galeria Frente apresenta a mostra “Niobe Xandó: O Inusitado” em que aproximadamente 70 obras entre pinturas, desenhos, serigrafias, objetos de diferentes fases e alguns documentos de época, buscam trazer a dimensão do trabalho singular desta artista. Sob a curadoria de Maria Alice Milliet, a mostra segue em cartaz, gratuitamente, até 22 de agosto. Em sua 15ª exposição, a galeria reafirma seu compromisso de trazer ao público artistas cuja relevância histórica e potência estética ainda pedem novos olhares.
“Resgatar e reapresentar a obra de Niobe Xandó é, nesse sentido, mais do que um gesto de revisão: é um convite à descoberta.” —Acacio Lisboa, diretor da galeria
Dona de um estilo único, a autodidata Niobe Xandó (1915-2010) foi um dos nomes mais importantes no cenário artístico brasileiro. Paulista de Campos Novos, trata-se de uma artista multifacetada que transitou pela pintura, colagens, desenho, esculturas, entre outros e cujas obras são marcadas por um forte misticismo ancestral nas quais traços das culturas africana e indígena se refletem em máscaras e totens. Há que citar, ainda, sua produção figurativa que evoluiu para um universo onírico, fantástico.

A mostra intitulada “O Inusitado” nasce dessas criações que se contrastam em suas diferentes e diversas fases, como na obra “Flor Fantástica”, parte de uma série criada pela artista entre as décadas de 1950 e 1990. Nela, pinturas com vegetação ‘mutante’, quiméricas, ganham frequentemente proporções em grande escala e tons intensos. Tais obras tensionam e invertem a lógica natural de flores e plantas e flertam, de perto, com o surrealismo. Obras desta série compuseram a mostra retrospectiva da artista na Pinacoteca de São Paulo, em 2007, sob a curadoria de Antonio Abdalla.

Para Acacio Lisboa, essa mostra com seu grande conjunto de obras, revela uma artista que viveu em constante reinvenção.
“Há uma recusa clara em se fixar, uma inquietação que se traduz na diversidade de suportes — madeira, papel, tecido, colagem, serigrafia — e na liberdade com que transita entre eles. Ao longo dos anos, tive o privilégio de conviver com Lourdes Xandó, filha da artista e responsável, com rara dedicação, pela preservação e difusão de sua obra.” —Acacio Lisboa
Em um momento em que a arte contemporânea frequentemente busca novas linguagens, a obra de Niobe lembra a todos que a verdadeira inovação pode residir na fidelidade de um universo próprio. Sua produção não segue tendências — ela as ignora. E, justamente por isso, permanece atual, aberta e profundamente instigante.
“Esta exposição é, portanto, uma celebração dessa liberdade — e também um reconhecimento àqueles que, ao longo do tempo, dedicaram-se a preservar e compartilhar esse legado.” —Acacio Lisboa
Galeria Frente é uma das principais galerias especializadas no mercado secundário de arte moderna e contemporânea brasileira. Fundada em 2015, tem consistentemente fomentado um programa de exposições comprometido em apresentar o melhor da arte brasileira. Em seu currículo de exposições já apresentou: Mira Schendel, 2015; Antonio Maluf e Hércules Barsotti, 2016; Frans Krajcberg, 2017; Iberê Camargo e Francisco Stockinger, 2018; Gilberto Salvador, 2021; Igor Rodrigues, 2022; Candido Portinari, 2023; A Realidade Máxima das Coisas, 2024; Walter Lewy, 2024, Takashi Fukushima, 2025 e Amadeo Lorenzato, 2025/2026. A Galeria Frente tem como missão facilitar e favorecer o colecionismo de arte no Brasil, por meio da comercialização de arte moderna e contemporânea, nacional e internacional. Promover o trabalho de curadores e críticos de arte através de suas exposições e livros de arte. Oferecer ao público exposições comprometidas com a história da arte. O objetivo da Galeria é ressaltar o trabalho de grandes artistas brasileiros e apresentar obras históricas, através de exposições retrospectivas, individuais e coletivas. Localizada no bairro do Jardins, em São Paulo.

SERVIÇO: Exposição “Niobe Xandó: O Inusitado”, de 25 de maio a 22 de agosto de 2026. Segunda à quinta-feira 10h às 19h | Sexta-feira das 10h às 18h | Sábado 10h às 14h | Fechado domingos e feriados. Rua Dr. Melo Alves, 400 – Cerqueira Cesar – São Paulo.